Utilização do cimento MTA-Fillapex em caso de reabsorção externa: relato de caso - Angelus Odontologia

Utilização do cimento MTA-Fillapex em caso de reabsorção externa: relato de caso

MTA-Fillapex | Angelus

Renato Interliche, DDS, MSc, especialista em endodontia
Douglas G. N. Cortez, DDS, MSc, PHD, especialista em Endodontia e Implantologia
Clauber Romagnoli, DDS, MSc, especialista em Endodontia e Implantodontia
Sérgio Luiz Silva, DDS, especialista em Endodontia

Resumo

O artigo tem como objetivo relatar um caso de tratamento endodôntico tardio ao traumatismo onde foi verificada a presença de reabsorção externa da porção apical da raiz. Paciente apresentou-se para avaliação dos incisivos superiores (dentes 21 e 22) e relatou que ocorrera um traumatismo há 20 anos. Foi realizado tratamento endodôntico rotineiro onde se utilizou o cimento MTA-Fillapex (Angelus, Londrina, Brasil) juntamente com cones de guta percha para a obturação dos canais radiculares. Após um período de acompanhamento pode-se constatar a regressão claramente visível da lesão.

 

Introdução

Traumatismos dentários podem ficar um variado período de tempo sem que se manifestem sinais e sintomas desta situação. Este tempo pode variar de poucas semanas até vários anos, dependendo em muitas vezes da sintomatologia do caso.

Não é incomum os relatos de pessoas atendidas que descobriram alguma sequela de traumatismo devido à exames de rotina, principalmente nos exames radiográficos. Este casos, normalmente assintomáticos, podem passar despercebidos pelos pacientes que, com frequência, relatam um traumatismo de menor porte e sem atendimento imediato.

Alterações cromáticas das coroas dentais podem ser consequência tanto de hemorragias causadas por traumas ou por necrose decorrente de processos cariosos. Nestes casos, deve-se sempre radiografar o dente para a avaliação do melhor tratamento a ser instaurado. A alteração de cor é um motivo frequente de busca por ajuda profissional, pois afeta fortemente a estética.

Uma boa anamnese também deverá ser realizada buscando uma pista sobre um possível traumatismo decorrente de acidentes, esportes ou batidas inesperadas que afetam principalmente os dentes anteriores.

Este artigo tem como objetivo o relato de um caso de traumatismo dentário ocorrido há duas décadas e que foi possível, através do tratamento endodôntico, estabilizar a reabsorção radicular externa bem como diminuir consideravelmente a lesão periapical.

 

Relato de caso

Paciente N.P., sexo feminino, 32 anos de idade, sem qualquer comprometimento de saúde de ordem sistêmica, procurou consultório odontológico para avaliação da alteração cromática que afetava os dentes incisivos superiores esquerdos (dentes 21 e 22).

Durante anamnese, relatou um traumatismo decorrente de queda, quando ainda tinha apenas 12 anos de idade. Neste momento, não houvera atendimento odontológico. Relatou ainda que os dentes em questão nunca apresentaram sensibilidade, dor ou qualquer outro sintoma.

Não relatou nenhuma alteração durante todo este tempo que condizesse com edemas, inchaços ou mobilidade dos dentes.

Pela avaliação da vitalidade pulpar (teste térmico ao frio) constatou-se necrose dos dentes pela ausência da resposta normal esperada.

No exame radiográfico (Figura 1), foi verificada a presença de rarefação óssea apical relacionada ao dente 22 e de reabsorção externa da porção apical.

Após devidamente explicada à paciente, a proposta de tratamento foi aceita e executada.

 

 

Figura 1. Radiografia inicial evidenciando forte reabsorção externa do dente 22.

O tratamento iniciou-se com a abertura e desinfecção dos canais radiculares com a penetração desinfectante pelo uso de uma lima manual tipo K #10 e #15 com abundante irrigação de hipoclorito de sódio a 2,5%.

A odontometria foi obtida através do localizador apical eletrônico Propex Pixi (Dentsply-Sirona, XXXXXXX, XXXXX) até a indicação de zero no aparelho.

Após determinado o correto comprimento de trabalho, o preparo foi realizado usando-se as limas rotatórias Prodesign Logic 15/05, 25/05 e 40/05 (Easy Equipamentos Odontológicos, Belo Horizonte, Brasil).

Terminado o preparo dos canais radiculares, promoveu-se uma agitação das soluções irrigantes com insertos ultrassônicos Irrisonic (Helse ultrasonic, Santa Rosa do Viterbo, Brasil) por 3 ciclos de 30 segundos para o EDTA e para o hipoclorito de sódio.

Os canais foram secos com cones de papel e os cones de guta-percha Medium (Odous de Deus, Belo Horizonte, Brasil) foram calibrados em #45 com auxílio de uma régua calibradora (Angelus, Londrina, Brasil).

Após completamente ajustados, os cones foram cimentados nos condutos com o cimento obturador MTA-Fillapex (Angelus, Londrina, Brasil) e alguns cones acessórios foram também inseridos com o auxílio de um espaçador digital.

Para uma melhor obturação, o termocompactador de MacSpadden foi acionado por alguns segundos nos canais em seus terços médios e cervicais.

As câmaras pulpares dos dois dentes foram então restauradas com resina composta e a paciente encaminhada para a reabilitação estética.

Figura 2. Aspecto final logo após o término dos tratamentos endodônticos

Após um período de 6 meses, a paciente retornou ao consultório para radiografias de controle (figura 3) onde pode-se notar uma forte regressão da lesão periapical.

Figura 3. Controle radiográfico de 6 meses.

Após 1 ano a paciente retorna para novas radiografias de controle (figura 4) onde se pode observar um excelente reparo da lesão periapical.



Figura 4. Controle radiográfico de 1 ano.

Discussão

Os casos de traumatismos dentários podem demorar um grande período de tempo até serem descobertos por exames de rotina ou apresentarem sinais e sintomas que façam a pessoa buscar por tratamento.

Para um caso como este relatado, o primeiro tratamento a ser realizado é a terapia endodôntica, visando a manutenção do elemento dental em função e com saúde. Caso isto não seja suficiente, outras alternativas deverão ser buscadas para a resolução do problema.

Uma dificuldade nestes casos é uma ideal determinação do comprimento de trabalho pela ausência da constrição apical. Essa grande abertura apical causada pela reabsorção faz com que os localizadores apicais não funcionem perfeitamente.

Além disso, limas de grande calibre nestas regiões com reabsorção podem causar perfurações laterais de difícil manuseio.

Em casos como este de reabsorção radicular apical extensa, outra dificuldade é o travamento adequado do cone principal. Isso, caso não seja obtido, poderá levar à um extravasamento grosseiro e até mesmo uma sobre extensão da obturação, o que desfavorece a recuperação. Uma alternativa para que se tenha maior segurança é o uso de cimentos o mais biocompatíveis possível, como o MTA fillapex utilizado neste caso.

Dada a reabsorção externa verificada neste caso, procurou-se preparar o canal de forma a não exceder o diâmetro em que se encontrava o forame no momento da intervenção. Por isso, o preparo dos canais foi limitado ao instrumento de diâmetro de ponta #40 e conicidade .05, o que já possibilita uma boa irrigação e descontaminação.

Os cimentos biocerâmicos mostram-se como uma atual e boa alternativa para o selamento dos condutos radiculares após sua desinfecção. Eles mostram-se perfeitamente adequados física e quimicamente para esta função, bem como com efeitos biológicos favoráveis à cura.

Como estes cimentos mostraram-se altamente compatível com os tecidos periapicais, selecionou-se o cimento MTA-Fillapex para a obturação dos canais radiculares neste caso.

O MTA-Fillapex mostrou-se com ótima radiopacidade, fluidez e tempo de trabalho. Pelo controle radiográfico, pudemos verificar que a técnica de preparo, soluções irrigantes e cimento obturador não interferiu negativamente na regressão da lesão.

Assim, mesmo com uma lesão periapical de porte importante associada a uma reabsorção apical externa também com dimensões consideráveis, podemos afirmar que este tratamento instaurado foi bem sucedido e conseguiu manter os elementos dentais em função. Consequentemente, a questão estética dentes poderá ser conduzida com segurança e previsibilidade.



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