Baixos índices de reciclagem no Brasil impulsionam logística reversa

Movimento reflete pressão por práticas ESG e busca por soluções para a gestão de resíduos no país

Julia Royer

3 min. de leitura

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13 de abril de 2026

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Cenário de resíduos no Brasil

O cenário brasileiro de produção de resíduos se caracteriza como alarmante quando observamos os dados sobre o tema. São mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidos anualmente no Brasil, de acordo com pesquisas da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA).  Além disso, em levantamentos sobre o tema, o país aparece com frequência entre os que mais geram lixo no mundo, em diferentes categorias.

Dados como esses trazem à tona discussões sobre práticas sustentáveis, não apenas no dia a dia da população, mas também no ambiente industrial. Esse setor, por sua vez, possui grande relevância no volume de resíduos gerados.  Nesse contexto, o avanço das pautas ESG tem moldado o funcionamento das indústrias e ampliado a pressão sobre o posicionamento das empresas em relação a essas questões.

Logística reversa como solução

Uma das maneiras de reduzir os impactos ambientais são as iniciativas de logística reversa de embalagens. No entanto, os índices ainda são baixos. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apenas 4% dos resíduos sólidos potencialmente recicláveis seguem para reciclagem no país.

A logística reversa se caracteriza como uma metodologia de compensação ambiental. Nesse modelo, as empresas conectam-se a cooperativas de recicladores, responsáveis pelo descarte e reaproveitamento adequado dos materiais, o que contribui diretamente para aumentar esses índices.

Iniciativas do setor industrial

A Angelus Odonto, indústria londrinense especializada em produtos para endodontia, aderiu ao programa “Eu Reciclo”. Com isso, a empresa investe em compensação ambiental equivalente ao volume de embalagens comercializadas. Na prática, a iniciativa assegura que essa quantidade seja destinada corretamente à reciclagem, por meio de cooperativas homologadas.

“A parceria com o projeto ‘Eu Reciclo’ está diretamente alinhada ao nosso plano estratégico de sustentabilidade, que visa reduzir impactos ambientais, fortalecer a economia circular e promover uma transparência socioambiental aos nossos clientes”, afirma Thiago Henrique da Silva, técnico de segurança do trabalho da empresa.

ESG como pilar das empresas

Hoje, o ESG deixou de ser um diferencial e passou a ser um pilar das organizações comprometidas com práticas sustentáveis e responsabilidade ambiental de longo prazo. Além disso, nesse cenário, iniciativas como essa reforçam o papel das empresas na busca por soluções para um dos principais desafios ambientais do país.

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