Utilização dos cimentos endodônticos MTA-Fillapex e BIO-C SEALER em necrose pulpar – relato de caso - Angelus Odontologia

Utilização dos cimentos endodônticos MTA-Fillapex e BIO-C SEALER em necrose pulpar – relato de caso

BIO-C® SEALER | Angelus

Clauber Romagnoli

Douglas Giordani Negreiros Cortez

Renato Interliche

Resumo

Este artigo tem como objetivo relatar um caso clínico realizado no curso de especialização em Endodontia onde dois dentes foram tratados endodonticamente e obturados com dois cimentos endodônticos diferentes. Após todo o tratamento realizado, consegui-se fazer o controle radiográfico e clínico do caso após 3 anos e meio. Pelos resultados obtidos, podemos concluir que o tratamento endodôntico realizado em ambos os dentes foi satisfatório.

Introdução

A periodontite apical pode se desenvolver de maneira assintomática e ser detectada apenas através de exames radiográficos de rotina na clínica odontológica (NEVILLE, 1998; SOUZA, et al., 2003).

Em algumas ocasiões, nota-se a presença de fístulas ou edemas na região periapical, o que nos faz desconfiar da presença de problemas endodônticos nos dentes que estão sendo examinados. A alteração de cor da coroa dental também é um sinal clínico de problemas endodônticos.

Dentes com fraturas extensas ou cáries profundas também são frequentemente associados à periodontite apical crônica assintomática.

Como primeira alternativa para o tratamento destes casos, sugere-se o tratamento endodôntico não cirúrgico e a reabilitação do elemento dentário conforme a necessidade.

Com um índice de sucesso bastante elevado, esta opção mostra-se de rápida execução na maioria das vezes e previne a perda dentária.

Diversos materiais e técnicas são propostas para o tratamento endodôntico. Vários novos materiais dentários têm sido introduzidos no mercado com uma taxa de sucesso bastante favorável. Dentre estes materiais, os cimentos endodônticos são itens importantes na fase de obturação dos canais radiculares.

O objetivo deste artigo é relatar um caso clínico onde foi realizado o tratamento endodôntico de dois dentes de um mesmo paciente com dois cimentos endodônticos diferentes.

Relato do caso clínico

A paciente M. P., 39 anos, sexo feminino, compareceu a clínica odontológica da escola Educação Inteligente (Ei – Uningá – Londrina, PR, Brasil) para avaliação dos dentes 34 e 35 no mês de março de 2019.

Ao exame clínico, os elementos apresentavam grande destruição coronária, restauração provisória insatisfatória (35) e ausência de dor espontânea.

No exame radiográfico inicial, notou-se uma cárie extensa nos dentes 34 e 35 (Figura 1).

Figura 1: Exame radiográfico inicial (diagnóstico).

Após os exames radiográfico e clínico, foi orientada para a paciente que haveria a necessidade de tratamento endodôntico e protético para a reabilitação dos dois elementos dentários.

Ciente do tratamento proposto, a paciente autorizou o início do tratamento pelos tratamentos endodônticos.

Os dois dentes foram submetidos à mesma sequência de tratamento endodôntico, sendo: abertura coronária convencional e remoção de todo tecido cariado, isolamento absoluto, penetração desinfectante (exploração inicial) com lima tipo K #10 e irrigação com hipoclorito de sódio a 2,5% (NaOCl) entre as trocas de cada lima.

O preparo do canal seguiu segundo a técnica de preparo proposta pela Equipe Londrinense de Endodontia, a saber:

  • Utilização de lima rotatória 15/05 na embocadura do canal radicular ou até 2/3 do comprimento aparente do canal radicular
  • Obtenção da patência com limas rotatórias 25/01 com medida 1 mm além do comprimento aparente do dente na radiografia
  • Odontometria eletrônica
  • Confirmação da patência (se necessário)
  • Utilização de lima 15/05 no comprimento total do canal radicular
  • Utilização de lima 25/05 no comprimento total do canal radicular
  • Potencialização da irrigação com utilização de inserto ultrassônico Irrisonic (Helse ultrasonic, Ribeirão Preto, Brasil) (Irrigação ultrassônica passiva) com as soluções irrigantes EDTA (17%) e NaOCl (2,5%).

Após estes passos, os canais foram secos com pontas de papel absorventes e obturados com a técnica de compressão hidráulica (cone único) variando-se apenas os cimentos utilizados.

No dente 34, usou-se o cimento biocerâmico Bio C Sealer (Angelus, Londrina, Brasil) e no dente 35 usou-se o cimento MTA Fillapex (Angelus, Londrina Brasil).

Foi realizada uma radiografia final para verificação da qualidade final da obturação (Figura 2) e a paciente foi orientada a procurar o curso de prótese dentária para a reabilitação dos dentes em questão.

Figura 2: Exame Radiográfico – Imediatamente após a obturação.

Após 30 dias do término do tratamento dos dentes, a paciente retornou à escola para um controle radiográfico (figura 3). Neste momento, não relatou nenhum problema de dor, inchaço ou presença de fístula na região.

Figura 3: Controle radiográfico de 30 dias

Terminado os tratamentos endodônticos, a paciente foi orientada a procurar o curso de especialização em Prótese dentária da mesma escola para a reabilitação dos dentes.

Passados 3 anos e meio, a paciente retornou a escola para a reabilitação dos dentes e neste momento foi feita uma radiografia de proservação para verificar a condição dos dentes antes de encaminhá-la para a reabilitação (Figura 4).

Figura 4: Controle radiográfico de 3 anos e meio.

Discussão

Neste caso clínico tivemos a oportunidade de ter a avaliação, em um mesmo indivíduo, de dois cimentos endodônticos biocerâmicos onde a única variável foi o cimento utilizado.

Os dois elementos dentários foram preparados de maneira similar e tratados pelo mesmo operador (R.I.).

Notou-se que no controle clínico-radiográfico de 3,5 anos, o dente 34 apresentava-se sem a blindagem coronária, mas sem qualquer repercussão apical de contaminação do canal radicular ou presença de fístula.

Verificou-se também a completa regressão das lesões apicais dos dois dentes e ausência completa de qualquer sintomatologia dolorosa. Porém, é evidente uma bolsa periodontal na distal do elemento 35, provavelmente decorrente de impacção alimentar pela não reabilitação do dente

O sucesso da terapia endodôntica depende principalmente da descontaminação dos canais radiculares. Isso é obtido durante a fase de preparo químico-mecânico dos canais, através do uso das medicações intracanal e também da obturação do sistema de canais radiculares.

Os novos cimentos endodônticos que tem uma composição biocerâmica apresentam bioatividade, o que poderá impactar positivamente na recuperação das lesões periapicais (HAN, OKIJI, 2013; LIMA, 2017).

A obturação dos canais é responsável pelo aprisionamento das bactérias resistentes ao preparo para que elas sejam eliminadas por falta de nutrientes. A obturação também tem a função de prevenir a recontaminação dos canais, o que ficou bastante evidente neste caso quando analisamos a ausência de lesão apical em um dente que perdeu sua blindagem cervical (dente 34).

Quanto à utilização dos cimentos, verificamos uma facilidade no uso do cimento Bio C Sealer por ser pronto para uso, o que agilizou o atendimento clínico. Entretanto, dada a experiência que já temos com o cimento MTA Fillapex, podemos afirmar que este também é muito prático e também tem a possibilidade de ser usado com pontas automisturadoras. Neste caso, foi utilizado o cimento MTA Fillapex na opção de pasta-pasta, onde temos que manipular o produto em quantidades iguais para o uso.

Ambos apresentam características excelentes para o uso clínico. Radiopacidade, tempo de trabalho, escoamento e todas as propriedades inerentes aos cimentos endodônticos mostraram-se satisfatórias para os materiais aqui avaliados (ROMAGNOLI et al., 2018; SANTOS, 2018).

Conclusão

Podemos concluir, dentro das limitações deste relato de caso, que os cimentos aqui utilizados são ótimas opções para os tratamentos endodônticos não cirúrgicos.

Referência bibliográficas

BROON, N. J. et al. Respuesta inflamatoria de Bioceramic a la implantación de tubos de dentina en tejido subcutáneo de ratas. Revista Odontológica Mexicana, v. 20, n. 3, p. 174-178, 2016.

BUENO, C. R. E. et al. Biocompatibility and biomineralization assessment of bioceramic-, epoxy-, and calcium hydroxide-based sealers. Brazilian Oral Research, v. 30, n. 1, 2016.

CARVALHO, C. N. et al. Micropush-out dentin bond strength and bioactivity analysis of a bioceramic root canal sealer. Dental Materials, v. 29, p. e79, 2013.

HAN, L.; OKIJI, T. Bioactivity evaluation of three calcium silicate‐based endodontic materials. International Endodontic Journal, v. 46, n. 9, p. 808-814, 2013.

KOHLI, M. R. et al. Spectrophotometric analysis of coronal tooth discoloration induced by various bioceramic cements and other endodontic materials. Journal of Endodontics, v. 41, n. 11, p. 1862-1866, 2015.

LIMA, NFF et al. Cimentos biocerâmicos em endodontia: revisão de literatura. Revista da Faculdade de Odontologia-UPF, v. 22, n. 2, 2017.

NEVILLE, B.W. et al. Doenças da polpa e periápice. In: NEVILLE, B.W. et al. Patologia oral e maxilofacial. 1ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. c.3, p. 93-119

LIU, S.; WANG, S.; DONG, Y. Evaluation of a bioceramic as a pulp capping agent in vitro and in vivo. Journal of Endodontics, v. 41, n. 5, p. 652-657, 2015.

MCMICHAEL, GE; PRIMUS, CM; OPPERMAN, LA. Dentinal tubule penetration of tricalcium silicate sealers. Journal of Endodontics, v. 42, n. 4, p. 632-636, 2016.

ROMAGNOLI C.; FELIZARDO, K.R.; GUIRALDO, R. D. et al. Evaluation of phisico-chemical and mechanical properties of MTA-based root canal sealer. Brazilian Journal of Oral Sciences, V. 17, p. 1-11, 2018.

SANTOS, J. L. Cimentos biocerâmicos: uma breve revisão bibliográfica e apresentação de casos clínicos. Monografia. Londrina – Brasil: Universidade do Norte do Paraná, 2018.

SOUZA, M.E. et al. Lesões periapicais: estudo epidemiológico. Rev Bras Patol Oral, v.2, n.1, p.30-34, 2003.

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